Peruíbe apresenta contraste entre a natureza exuberante e carências na administração pública

Artigo por: Denis Mack, filósofo, jornalista e empresário

Foto: Denis Mack/ Divulgação

Uma cidade jovem, com um potencial imenso para o turismo ecológico. Essa é a cidade de Peruíbe (SP), município abençoado por inigualável beleza natural, aos pés da Estação Ecológica Jureia-Itatins, que vai muito além da grande praia que compartilha com os municípios vizinhos. Embora muitos desconheçam, a cidade reúne sete unidades de conservação ambiental, sendo uma das mais relevantes áreas de preservação do estado de São Paulo, do Brasil e do mundo.

Belezas naturais não lhe faltam. Peruíbe é rica em flora nativa, cachoeiras, rios e praias, incluindo a mata-atlântica e o cerrado, a restinga e os manguezais, a prolífera biodiversidade de beleza ímpar, que seria difícil descrever em poucas linhas. Cito aqui as inúmeras orquídeas, bromélias, ipês, arandás e jequitibás, a lama negra, as águas sulforosas, os pássaros, as vistas paradisíacas.

Riquezas culturais também não são escassas, e estas se dividem no tempo entre as tradições das tribos indígenas e dos natos caiçaras. Falta à cidade organizar sua história, criar um objetivo e se posicionar como uma opção turística única na Baixada Santista. Chegamos no ponto crucial, a subserviência política do município aos “caciques da baixada”.

O que não falta e há de sobra é o descaso dos seus governantes. Politicamente falando, a “cidade da eterna juventude” é ainda subalterna aos desmandos dos mandatários santistas, e para piorar, não se relaciona de forma integrada com as cidades do Vale do Ribeira. Tal fato contribui para esconder seu papel de artífice central do polo ecoturístico da região.

Por conta de gestões que desconhecem o valor natural, histórico e cultural do município, a cidade se limita a figurar apenas como a última opção do litoral da baixada santista, se espelhando administrativamente em cidades que não apresentam o mesmo potencial ecológico, o que por consequência, acaba por atrair um turismo de baixo “ticket médio”, que agrega pouco valor, sem ênfase alguma na preservação ambiental, que não gera emprego, que não eleva suficientemente a renda do valoroso comércio local nem a qualidade de vida dos seus munícipes.

É notória a falta de perspectivas na parte administrativa, não se observando em décadas um crescimento orgânico do turismo ambiental. Nada é organizado, não existem projetos de valorização histórica e cultural por parte do poder público. Soma-se a isso uma falta de visão de valorização do comércio, a falta de estímulo aos pequenos negócios, da arte e da cultural local, da falta de percepção de que a maior riqueza de Peruíbe é a sua natureza.

Sobre o autor: Denis Mack é filósofo, jornalista e empresário, formado em Teologia, Pós-graduado em Filosofia e Relações Públicas, além de especializado em Política pela Universidade de Harvard, nos Estados Unidos.  Atua há mais de 20 anos, no Brasil e no exterior, administrando soluções nas áreas de Turismo, Comércio, Saúde e Tecnologia da Informação, desenvolvendo a comunicação social de organizações nacionais e internacionais de grande porte. Colabora como voluntário em associações, nas áreas de amparo à mulher e pessoas em situação de vulnerabilidade social, além de projetos para inclusão e valorização dos idosos, combate à fome e proteção ao meio-ambiente no município de Peruíbe (SP).